EX-GOVERNADOR RONDON PACHECO MORRE EM UBERLÂNDIA

Morreu, na madrugada desta segunda-feira (4) em Uberlândia, o ex-governador de  Minas Gerais, Rondon Pacheco, aos 96 anos. O corpo está sendo velado no Palácio dos Leões, no Museu Municipal, e o sepultamento será às 17h no Cemitério São Pedro.

Rondon Pacheco morreu por volta das 2h30 da madrugada em casa.

Entre os cargos ocupados durante a trajetória política estão o de governador de Minas Gerais e ministro-chefe da Casa Civil durante o governo do presidente Arthur Costa e Silva. Em homenagem ao conterrâneo e proprietário rural de Uberlândia, uma das principais vias urbanas da cidade, bem como um dos teatros, levam o nome de Avenida Governador Rondon Pacheco e Teatro Rondon Pacheco.

Filho de Raulino Cota Pacheco e Nicolina dos Santos Pacheco, Rondon nasceu no dia 31 de julho de 1919 em Uberlândia. Iniciou o curso de Direito na terra natal e, em seguida, foi para a capital Belo Horizonte onde concluiu os estudos, advogou e iniciou a carreira pública. Rondon Pacheco deixa esposa, duas filhas, um casal de netos e três bisnetos.

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Logo no início da manhã Fernando Pimentel, governador de Minas Gerais enviou nota a respeito da morte de Rondon:

“O ex-governador Rondon Pacheco é parte importante da história do Brasil e de Minas Gerais, com destacado papel na promoção do desenvolvimento econômico. Como governador do Estado, deixo, a seus amigos e familiares, uma palavra de conforto neste momento de dor”.

O senador e ex-governador Aécio Neves, também lamentou a morte do político:

“Rondon Pacheco foi um homem público admirável que para sempre estará inscrito na nossa história. Preocupado com o desenvolvimento do Estado, foi o responsável pela instalação da Fiat em Minas Gerais. Político conciliador, nunca deixou de participar, mesmo já com a idade avançada, dos momentos importantes para os mineiros. Tive a honra de receber dele, em diversas ocasiões, o mesmo apoio e confiança que manifestou a Tancredo na eleição para Presidência da República. Trazia Minas, em especial o Triângulo e sua gente, sempre em seu coração e em sua mente. É um dia triste para todos nós mineiros.”

Rondon também foi presidente do Diretório Acadêmico Afonso Pena e, após o mandato na Assembleia, foi eleito deputado federal por Minas para os pleitos de 1951 a 1971 e 1983 a 1987 compondo, por determinado período, a Comissão de Constituição e Justiça e Comissão de Transportes.

O político mineiro liderou a União Democrática Nacional (UDN) de 1959 a 1961, partido pelo qual auxiliou na fundação junto ao amigo e político Pedro Aleixo. Foi Secretário do Interior e Justiça de Minas Gerais, ministro-chefe da Casa Civil no governo do presidente Costa e Silva e governador entre 1971 e 1975 após indicação de Emílio Médici, presidente da República na época. Em 1992, foi eleito membro do Conselho Superior da Associação Comercial do Rio de Janeiro onde ficou morando.

Ainda dando continuidade às homenagens a uma das grandes personalidades mineiras, uma produtora local lançou o documentário “Algodão entre Espelhos”, em 2012, que aborda a trajetória política de Rondon Pacheco e tem como tema central “Desenvolvimento de Minas Gerais nas décadas de 60 e 70″.

 

BREVE HISTÓRIA DE RONDON PACHECO

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Nasceu em Uberlândia, em 31 de julho de 1919. Aos 18 anos mudou-se para Belo Horizonte. Ingressou na Faculdade de Direito. Presidiu o Centro Acadêmico Afonso Pena e fez oposição ao Estado Novo. Formou-se em 1943.

Influenciado por Pedro Aleixo, filiou-se à UDN, legenda pela qual candidatou-se à Assembleia Constituinte mineira em janeiro de 1947. Obteve a primeira suplência e assumiu o mandato com a saída do deputado estadual Miguel Batista Vieira.

Nas eleições de 1950 elegeu-se deputado federal sempre pela UDN. Consolidou a base eleitoral no Triângulo Mineiro defendendo os interesses dos criadores de gado e denunciando prejuízos decorrentes de secas e enchentes.

Foi reeleito em 1954 e, no último ano do segundo mandato, tornou-se vice-líder da UDN, atuando como líder em substituição a João Agripino, afastado por motivos de saúde.

Em 1958 foi eleito deputado federal pelo terceira vez. Foi líder da UDN em 1960 e em 1961.

Com a eleição de Magalhães Pinto para o governo de Minas foi nomeado em maio de 1961 secretário do Interior do estado. Ficou no cargo por pouco mais de um ano.

Em outubro de 1962, elegeu-se deputado federal pela quarta vez consecutivo. Apoiador do golpe militar de 31 de março de 1964, leu na Câmara dos Deputados o manifesto da “Revolução”, de Magalhães Pinto, no momento da partida das forças de Minas para o Rio. Integrou o bloco parlamentar de sustentação ao marechal Humberto Castelo Branco, formado por iniciativa dos deputados udenistas Pedro Aleixo e Olavo Bilac Pinto.

Com a extinção dos partidos políticos que se seguiu ao Ato Institucional número 2 (AI-2), editado em 27 de outubro de 1965, Castelo Branco reuniu-se com o grupo de deputados governistas com o pedido para que se filiassem à Aliança Renovadora Nacional (Arena), legenda de sustentação do regime militar. Rondon Pacheco assume a secretaria geral da Arena.

Nas eleições de novembro de 1966, Rondon Pacheco conquistou o quinto mandato consecutivo para a Câmara dos Deputados. Exerceu o mandato até 15 de março de 1967 quando, com a posse de Costa e Silva, assumiu a chefia do gabinete civil da Presidência República.

Durante a reunião do Conselho de Segurança Nacional presidida por Costa e Silva para baixar o Ato Institucional número 5 (AI-5), propôs que tivesse um prazo de vigência de um ano, o que foi rechaçado por Costa e Silva.

Rondon Pacheco encerrou a gestão na gabinete civil de Costa e Silva em 30 de outubro de 1969, quando Emílio Garrastazu Médici assumiu a Presidência da República. Retornou à Câmara dos Deputados.

Em novembro de 1969 foi indicado por Médici para presidir a Arena. E em julho do ano seguinte foi por ele escolhido para ser o candidato oficial da Arena ao governo de Minas.

Comandou Minas Gerais entre 1971 e 1975. Dentre as suas realizações, está a instalação da fábrica da Fiat em Betim.

Após o governo de Minas, foi nomeado para presidir a Usiminas em 1976.

Com o fim do bipartidarismo em 1979, ingressou no Partido Democrático Social (PDS), da base governista.

O seu último cargo eletivo foi como deputado federal: elegeu-se em 1982. Apoiou a candidatura de Tancredo Neves no colégio eleitoral em 15 de janeiro de 1985. Em 1986 viveu a primeira e única derrota eleitoral ao disputar o Senado Federal.

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Nota sobre o funeral de Rondon Pacheco

 

O Estado de Minas Gerais será representado pelo vice-governador Antônio Andrade, nas cerimônias fúnebres do ex-governador de Minas, Rondon Pacheco, que faleceu nessa madrugada.

O velório está ocorrendo no Palácio dos Leões – Praça Clarimundo Carneiro s/n – Uberlândia.

O enterro está previsto para as 17h no Cemitério São Pedro – Avenida Paes Leme, 855 – Uberlândia.

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