ENSINO À DISTÂNCIA DE ENFERMAGEM PREOCUPA PROFISSIONAIS

O ensino a distância (EaD) de enfermagem, nos níveis superior e técnico, foi duramente criticado em reunião realizada nesta quarta-feira (22/6/16) pela Comissão do Trabalho, da Previdência e da Assistência Social da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Profissionais da área e membros de conselhos e sindicatos apontaram essa modalidade como um risco para a sociedade, em função da má qualidade da formação oferecida. E cobraram também a valorização da enfermagem, com melhores salários e a redução da jornada de trabalho para 30 horas semanais.

O cenário da formação em enfermagem no Brasil foi apresentado pela conselheira do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), Dorisdaia Carvalho de Humerez. Segundo ela, o EaD é oferecido por universidades privadas e centros universitários e independe de uma autorização específica do Ministério da Educação (MEC). Essas instituições devem ter apenas um polo de apoio presencial, para atividades pedagógicas e aulas práticas e presenciais. “Mas, diante do crescimento dessa modalidade, o MEC determinou a fiscalização dos polos por amostragem”, frisou.

O Brasil tem hoje, ainda segundo Dorisdaia, 938 polos, com 46.780 vagas de EaD. Em Minas, há 84 polos. Ela relata que o Cofen visitou todos os polos do país e constatou irregularidades que vão desde a falta de biblioteca e de convênios para estágio até o funcionamento clandestino (de instituições não reconhecidas pelo MEC), passando pela existência de muitos professores recém-formados. A maioria das vagas se concentra nas instituições Unipar e Anhanguera, ambas adquiridas pela empresa Kroton, de capital norte-americano.

 

Cursos presenciais têm vagas disponíveis

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Já os cursos presenciais do país são 851, com 133.752 vagas, mais da metade disponíveis. “Por que precisamos de EaD?”, questionou a conselheira do Cofen, diante da existência de vagas presenciais. Ela lembrou a complexidade da profissão, que exige uma relação próxima e humanizada com o paciente, e reforçou que as atividades presenciais são “o coração” da enfermagem. “O diploma é igual. Não há como o mercado saber se o profissional é egresso de curso presencial ou a distância”, alertou Dorisdaia.

O presidente do Cofen, Manoel Carlos Neri da Silva, acrescentou que muitos cursos presenciais privados também são ruins e oferecem, por exemplo, aulas práticas somente em laboratório. Esse quadro, aliado ao crescimento da EaD, levou a instituição a propor um projeto que institui um exame de suficiência dos recém-formados. O PL 4.930/16 já tramita na Câmara dos Deputados e prevê que o exame seja condição para a obtenção do registro profissional, como ocorre hoje com o curso de Direito.

A categoria também acompanha a tramitação do PL 2.891/15, outro projeto federal, que modifica a lei que regulamenta o exercício da enfermagem passando a exigir a formação exclusivamente por meio de cursos presenciais.

celinho - sarah torres

Deputado Celinho. Foto ALMG

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